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O que é roubado, quando se rouba o museu?

O assalto ao Louvre, em 19 de outubro de 2025, não inaugurou uma nova modalidade de crime contra museus, mas tornou visível uma vulnerabilidade que estas instituições tendem a manter fora do olhar público, bem como a tensão inevitável entre a obrigação de mostrar e o dever de proteger. E, da mesma forma, evidenciou as contradições de sociedade que retira os objetos do mercado, os declara património e, simultaneamente, continua a atribuir-lhes valores económicos capazes de gerar o desejo de os devolver violentamente à circulação mercantil.

Galerie d’Apollon, Musée du Louvre, após o assalto de 19 de outubro de 2025
Foto: Il Giornale dell’Arte, 2025

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Dois dólmens, uma confeitaria e muita indiferença

Foram destruídos dois dólmens e os vestígios de uma villa romana inventariados na Herdade das Atafonas, na freguesia de Torre dos Coelheiros, ao pé de Évora, para dar lugar a plantação de um nogueiral intensivo. A destruição terá ocorrido em 2017, mas só agora foi detetada e publicitada na sequência de uma visita de técnicos do Município de Évora ao local.

Vestígios dos dolmens destruídos
Herdade das Atafonas
Imagem: Expresso, 2026

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Dia Internacional dos Monumentos e Sítios 2026, em tempo de conflitos e desastres

O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, celebrado a 18 de abril por iniciativa do ICOMOS, escolheu, como tema para 2026, “Património vivo: resposta de emergência em contextos de conflitos e desastres”, sublinhando a vulnerabilidade dos bens culturais face a crises contemporâneas e a necessidade de respostas rápidas, coordenadas e eticamente fundamentadas.

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Quando a tempestade se abate sobre as pessoas e o património (num país de faz-de-conta)

A tempestade Kristin passou deixando atrás de si um vasto território profundamente devastado e um imenso rasto de vulnerabilidade. Casas destelhadas e inundadas, árvores caídas, famílias desalojadas, vidas interrompidas ou definitivamente perdidas (dez mortes associadas ao mau tempo), tudo isso nos recorda que qualquer reflexão sobre património começa inevitavelmente pela vida das pessoas. Houve medo e impotência face à destruição e ao vazio deixado pela imensidão da perda. Houve abandono por parte do Governo central que não conseguiu avaliar a dimensão do que estava a acontecer e optou por reações patéticas de propaganda política, do vídeo de Leitão Amaro às declarações insensíveis e insensatas de alguns ministros ou à incapacidade de ir ao terreno e sujar os pés na lama e no lodo e de ouvir as pessoas, em vez de ficar no conforto dos gabinetes à espera de pedidos de ajuda e, depois, anunciar medidas pífias de apoio. Neste momento de crise, o Governo falhou redondamente, sobretudo em confronto com a ação incansável e, por vezes, desesperada do poder local e com a empatia e a solidariedade dos voluntários que inventaram formas de ajuda. O contraste entre esta mobilização de proximidade e a lentidão das respostas institucionais evidencia um desfasamento profundo entre o tempo político e o tempo da realidade. Há muita gente, famílias e comunidades inteiras a tentar reconstruir o quotidiano com a inevitabilidade dos meios escassos. E tudo isso, também nos confirma que o mais importante são as pessoas e as suas tragédias pessoais e o cansaço que cresce.

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