O n.º 3 da III série da revista INVENIRE: Bens Culturais da Igrejaconfirma a identidade editorial que tem vindo a consolidar: uma revista onde se conjugam investigação, prática patrimonial e reflexão cultural.
Exposição “Corpus: ritualidade, forma e presença”
Leiria, Museu de Leiria (22 maio – 31 dez. 2024)
Os valores patrimoniais envolvem critérios conotativos, como a preciosidade ou a riqueza material, a qualidade estética ou artística, a autenticidade ou a raridade, e que estão estabelecidos de forma consensual e convencional, mas, através da crescente importância atribuída ao património intangível, os critérios denotativos, tais como as crenças, rituais e uso associados ao objeto em paralelo com a sua identidade simbólica e arquetípica, têm vindo a implantar-se como fatores determinantes na constituição do discurso museológico. Porém, as estratégias museográficas, como a introdução de barreiras, plintos e vitrinas, contribuem para a perceção da ‘coisa’ em objeto de arte, ou seja, “to transform almost anything they [museus] exhibit into a work of art (Putnam, 2009, p. 36); por conseguinte, também o objeto religioso é habitualmente transformado em objeto de arte (Roque, 2011). A exposição em torno de um conceito intangível através da materialidade dos objetos envolve a construção de um discurso transcendente, mas mediador entre a perceção material e sensorial do observador e o pensamento simbólico que pretende transmitir. Se este é um desafio de difícil realização, a exposição “Corpus: Ritualidade, forma e presença” ultrapassa-o de forma magnificente e modelar no âmbito da museologia da religião.
Exposição “Corpus: Ritualidade, forma e presença” Leiria, Museu de Leiria Foto: MIR, 2024
Exposição “Rostos de Fátima, fisionomias de uma paisagem espiritual”
Fátima, Convivium de Santo Agostinho, Basílica da Santíssima Trindade (28 nov. 2020 – 15 out. 2022)
Esta exposição tem, literalmente, um fio condutor.
Tear (detalhe), no espaço introdutório da exposição Foto: MIR, 2021
A primeira peça é um tear artesanal com uma peça em meia urdidura e de cuja teia parte um fio vermelho que une cada um dos pontos da exposição, ou os diferentes rostos que constroem a narrativa da exposição. Ao lado, sobre a imagem de uma meada de fios, as palavras-chave que constituem o mote desta narrativa, mas cuja chave de leitura apenas será revelada no final: esquecemos, lições, história, crise, sofrimento, forma de viver, humanidade, rostos, mãos, vozes.
A exposição está estruturada em duas partes sequenciais e complementares, marcada no chão com uma faixa onde se apresenta o respetivo título. A primeira parte “Paisagem humana: que rostos em Fátima?”, concreta e denotativa, mostra os rostos conhecidos daqueles que traçam a história e a fisionomia material do santuário de Fátima. A segunda “Fisionomias espirituais: que rostos de Fátima?”, conceptual e conotativa, assume uma função referencial e interpretativa do sentido espiritual do lugar.
O Museu de Congonhas é considerado o primeiro ‘museu de sítio’ do Brasil, formalizando-se como um centro interpretativo do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, incluído no Livro de Tombo de Belas Artes do IPHAN, em 1939, e inscrito na Lista do Patrimônio Cultural Mundial da UNESCO, em 1985.
Exposição “Vestida de Branco: A imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima”
Fátima, Convivium de Santo Agostinho, Basílica da Santíssima Trindade, 30 nov. 2019 – 15 out. 2020
O Museu do Santuário de Fátima continua a série de exposições comemorativas de centenários relacionados com as aparições. A exposição “Vestida de branco” é comissariada por Marco Daniel Duarte, com museografia dos arquitetos Humberto Dias e Pedro Gândara e design de Inês do Carmo.
Esta é uma exposição comemorativa do centenário da primeira escultura de Nossa Senhora de Fátima. Porém, o objeto nuclear da exposição, isto é, a imagem da Senhora de Fátima venerada na Capelinha, mantém-se afastado do espaço expositivo, embora se anuncie a sua presença, por um dia, no próximo dia 13 de junho, assinalando o centenário da sua chegada ao santuário.
Figuras recortadas a convergir para a entrada da exposição Convivium de Santo Agostinho Foto: MIR, 2019
Museu da Liturgia Rua Jogo de Bola, 15 Tiradentes (MG), Brasil
Um museu que se diz “da liturgia” cria a expetativa de interpretar o culto, de interpretar o sentido dos rituais e de os relacionar com os princípios teológicos que os fundamentam, de justificar a forma e a função das alfaias. Cria a expetativa de uma abordagem antropológica na elucidação dos fenómenos sociais relacionados com a religiosidade.
Museu da Liturgia. Brasil, Tiradentes (MG)
O museu, inaugurado em 2012, ocupa a antiga casa paroquial, adjacente ao edifício da Câmara e nas proximidades da igreja matriz de Santo António. O acervo é constituído por cerca de 420 peças do período colonial mineiro, provenientes da paróquia de Santo António e totalmente restauradas.Continuar a ler “Museu da liturgia ausente”
Santos, A. R., & Duarte, M. D. (2019). Capelinha das Aparições: Capela-mundi = ChapeloftheApparitions: Worldchapel. Fátima: Santuário de Fátima. (Arte e património, 3)
A exposição “Capela-múndi: Exposição temporária comemorativa do centenário da construção da Capelinha das Aparições” afirmou-se como uma referência no âmbito da museologia da religião. Prestes a terminar, foi agora complementada com a publicação do respetivo catálogo, em edição bilingue em português e inglês, tendo sido coordenado editorialmente por Ana Rita Santos e Marco Daniel Duarte, Diretor do Museu do Santuário de Fátima e comissário da exposição. O catálogo constitui o 3.º número da coleção “Arte e património”, na sequência deFrancisco e Jacinta: Candeias que Deus acendeu (Duarte, 2012), catálogodas exposições comemorativas do centenário dos nascimentos dos Beatos Francisco e Jacinta Marto, e deEstudo científico da Escultura de Nossa Senhora do Rosário de Fátima(Coroado, & Duarte, 2017).Continuar a ler “Capela-mundi: o catálogo”