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O que celebramos quando celebramos o 10 de Junho?

O dia 10 de Junho é um momento privilegiado de reflexão sobre a forma como uma comunidade política constrói, interpreta e transmite a sua memória coletiva. A evolução da designação desta data ao longo do último século revela, aliás, as profundas transformações ocorridas na sociedade portuguesa, na relação com o passado e na própria conceção de património cultural.

A escolha do dia 10 de junho está associada à morte de Luís de Camões, ocorrida em 1580. Desde o século XIX, a figura de Camões foi progressivamente elevada à condição de símbolo nacional, representando simultaneamente a língua portuguesa, a expansão marítima, a produção cultural e uma determinada ideia de Portugal (Braga, 1891; Cunha, 2011). Nessa altura, por toda a Europa, consolidava-se a ideia moderna de nação. As revoluções liberais, o romantismo e a emergência dos nacionalismos levaram os diferentes Estados a procurar, no passado, os elementos que justificassem a sua existência histórica e a sua continuidade política (Anderson, 2021; Hobsbawm & Ranger, 2012).

Inauguração do monumento a Luiz de Camões
Desenho: Francisco Augusto Nogueira da Silva; gravador: Alberto (pseudónimo de Alberto Carlos Augusto Nunes)
In: Archivo Pittoresco, 10(28), 9 out. 1867

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“Cesse tudo o que a Musa antiga canta”: revisitar Camões na Biblioteca Nacional

Exposição “No Rasto de Luís Camões”
Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal (5 maio – 15 set. 2026)

Com curadoria científica de Vanda Anastácio, projeto arquitetónico de Francisco Aires Mateus e design gráfico de Pedro Falcão, a exposição “No Rasto de Luís Camões”, apresentada na Biblioteca Nacional de Portugal no âmbito das comemorações dos quinhentos anos do nascimento do poeta, ainda que demasiado tardio face ao marco do centenário, afirma-se como um dos projetos expositivos mais ambiciosos dos últimos anos em torno da figura camoniana. É, seguramente, a realização mais visível da Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões. Porém, este atraso permitiu que se tornasse numa merecida homenagem a Diogo Ramada Curto, falecido no passado dia 11 de abril, e que, à data da morte, exercia funções como Diretor-Geral da Biblioteca Nacional de Portugal e Comissário-Adjunto da referida estrutura de missão.

Galeria 1: entrada
Exposição “No rasto de Camões”
Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal
Foto: MIR, 2026

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Luís de Camões: cinco séculos de imortalidade e o silêncio das comemorações

Luís Vaz de Camões terá nascido entre 1524 e 1525. Na incerteza da data, a comemoração do quincentenário do seu nascimento iniciou em 2024 e prolonga-se por 2025. Hoje é o dia em que se assinala a data da sua morte como o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Camões não é apenas o genial autor de Os Lusíadas; é o nome que se tornou sinónimo de uma língua, de uma ideia de portugalidade e, simultaneamente, de uma universalidade que sobreviveu às amnésias do tempo.

Camões salva os Lusíadas do naufrágio
José de Guimarães, 1983 (ass. e dat.)
Serigrafia sobre papel

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