A Tapeçaria de Bayeux, em rigor, não é uma tapeçaria, mas um bordado de lã sobre linho com cerca de 70 metros de comprimento por 50 centímetros de largura. A obra, cuja produção é atribuída ao contexto anglo-normando da década de 1070, funciona como uma narrativa visual contínua de caráter propagandístico e histórico, cujo programa iconográfico detalha os antecedentes políticos e as ações militares que culminaram na Conquista Normanda da Inglaterra em 1066, com especial destaque para a Batalha de Hastings, onde as forças de Guilherme, o Conquistador, derrotaram o exército anglo-saxão do rei Haroldo II. Ao longo de 58 cenas com inscrições em latim, o bordado oferece um registo minucioso da cultura material da época. Constitui, por isso, uma fonte primária fundamental para o estudo da arquitetura militar, da tecnologia naval de transição viking, da heráldica primitiva e dos costumes quotidianos do século XI. Considerando o seu valor patrimonial e historiográfico excecional, a obra integra o registo da Memória do Mundo da UNESCO. Durante séculos, esteve na posse da Sé de Bayeux, para onde foi encomendada e onde era exposta uma vez por ano. Passou, depois, para a tutela do Estado francês que delegou a sua guarda e gestão direta ao município de Bayeux, na região da Normandia. Desde 1983, a obra está em exposição permanente no Musée de la Tapisserie de Bayeux, instalado no antigo Seminário da cidade, o qual atingia cerca de 400 mil visitantes por ano.

Foto: TripAdviser, 2022
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