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Graça Morais em antologia

Exposição “Graça Morais. Uma Antologia”
Algês, Palácio Anjos (15 mar. – 13 set. 2026)

Com curadoria de António Meireles e Emília Ferreira, a exposição Graça Morais. Uma Antologia reúne mais de 170 obras, entre desenho, pintura e fotografia, realizadas desde a década de 1970 até à atualidade, sem pretender converter esse extenso percurso numa narrativa linear ou numa retrospetiva exaustiva. Menos ainda, tem o intuito de estabelecer uma história definitiva da produção de Graça Morais.

Autorretrato?
Graça Morais, 2002
Exposição “Graça Morais. Uma Antologia”
Foto: MIR, 2026

A escolha do termo antologia é relevante, pois trata-se de selecionar e destacar momentos distintos. Esta relativa liberdade face à cronologia permite centrar-se naquilo que permanece na sua obra – a persistência de temas como a terra, as mulheres, os animais, a memória rural, a violência – e, sobretudo, revelar uma forma de olhar que transforma incessantemente esses elementos e os desloca do particular para uma dimensão mais ampla da condição humana.

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De novo, como novo: a identidade museográfica do Museu Gulbenkian

O lema escolhido para a reabertura do Museu Calouste Gulbenkian, a 18 de julho de 2026, aponta para uma ambivalência entre a recuperação e a renovação. Depois de cerca de um ano e meio encerrado, o Museu apresenta-se renovado, tecnicamente atualizado e museograficamente alterado, mas evita a retórica da novidade, propondo o regresso ao projeto inaugurado em 1969, à relação entre a coleção, o edifício e o jardim e a um conceito expositivo de sobriedade para destacar os objetos.

Museu Calouste Gulbenkian
Foto: MIR, 2026

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Museu Rainha D. Leonor… o que será?

O Museu Rainha D. Leonor, instalado no antigo Convento da Conceição, em Beja, é uma das mais importantes instituições museológicas do sul de Portugal. As suas coleções de arqueologia, pintura, escultura, artes decorativas e arte sacra conferem-lhe um papel central na preservação e na divulgação do património histórico e artístico do Baixo Alentejo. Contudo, o longo encerramento do museu e os sucessivos adiamentos da sua reabertura transformaram-no num caso que ultrapassa as dificuldades normalmente associadas à reabilitação de equipamentos patrimoniais de grande dimensão, pela incapacidade de afirmar um projeto museológico claro e partilhado e, sobretudo, pela sedutora tentação de recomeçar, de fazer de novo sem atender ao que já havia sido feito.

Igreja do antigo Convento de Nossa Senhora da Conceição; na nave, os andores de S. João Batista e de S. João Evangelista após o restauro
Beja, Museu Rainha D. Leonor
Foto: MIR, 2025

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Casa de memórias: Museu do Rancho Folclórico de Foz Côa

No contexto contemporâneo da museologia, marcado pela valorização das memórias locais, das identidades comunitárias e do património imaterial, as pequenas casas-museu e os núcleos etnográficos assumem uma relevância crescente. Distantes da monumentalidade dos grandes museus nacionais, estes espaços revelam frequentemente uma capacidade singular de preservar aquilo que raramente entra nas narrativas oficiais: os gestos quotidianos, os ritmos domésticos, as práticas de sociabilidade, as crenças íntimas, os objetos de uso corrente e as formas de habitar o território. É neste horizonte que se compreende a importância do Museu do Rancho Folclórico de Foz Côa, fundada por D. Mariazinha, cuja ação persistente permitiu reunir, conservar e apresentar um conjunto significativo de testemunhos materiais da vida rural e doméstica do território duriense e coense.

Receção
Vila Nova de Foz Côa, Museu do Rancho Folclórico
Foto: MIR, 2026

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Convergências entre “Arte & Moda” ou a persistência das formas

Exposição “Arte & Moda”
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian  (18 abr. – 21 jun. 2026)

A exposição “Arte & Moda” recupera o estatuto de excelência das grandes exposições da Gulbenkian e constitui um dos mais ambiciosos exercícios recentes de aproximação entre património artístico histórico e criação de moda contemporânea em contexto museológico português. Inserida nas comemorações dos setenta anos da instituição e com curadoria de Eloy Martínez de la Pera Celada, a exposição reúne um vasto conjunto de obras da Coleção Gulbenkian e de peças de alta-costura de criadores como Cristóbal Balenciaga, Alexander McQueen, Vivienne Westwood, Guo Pei, Yves Saint Laurent, Jean Paul Gaultier ou Gianni Versace, organizando-as através de relações visuais, materiais e simbólicas.

O movimento dandy e a moda masculina do fato escuro no tempo de Calouste Gulbenkian 
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian
Foto: MIR, 2026

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“Cesse tudo o que a Musa antiga canta”: revisitar Camões na Biblioteca Nacional

Exposição “No Rasto de Luís Camões”
Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal (5 maio – 15 set. 2026)

Com curadoria científica de Vanda Anastácio, projeto arquitetónico de Francisco Aires Mateus e design gráfico de Pedro Falcão, a exposição “No Rasto de Luís Camões”, apresentada na Biblioteca Nacional de Portugal no âmbito das comemorações dos quinhentos anos do nascimento do poeta, ainda que demasiado tardio face ao marco do centenário, afirma-se como um dos projetos expositivos mais ambiciosos dos últimos anos em torno da figura camoniana. É, seguramente, a realização mais visível da Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões. Porém, este atraso permitiu que se tornasse numa merecida homenagem a Diogo Ramada Curto, falecido no passado dia 11 de abril, e que, à data da morte, exercia funções como Diretor-Geral da Biblioteca Nacional de Portugal e Comissário-Adjunto da referida estrutura de missão.

Galeria 1: entrada
Exposição “No rasto de Camões”
Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal
Foto: MIR, 2026

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Palácio Nacional da Ajuda: entre os corredores do poder e o quotidiano da mesa real

O Palácio Nacional da Ajuda foi pensado como residência régia na sequência do terramoto de 1755 (vd. a.muse.arte). A construção, para substituir a Real Barraca, uma construção efémera em madeira, teve início em 1795, segundo o projeto inicial de Manuel Caetano de Sousa. Contudo, durante a regência do príncipe D. João, futuro D. João VI, este projeto foi substituído segundo um novo desenho dos arquitetos Francisco Xavier Fabri e José da Costa e Silva, contando posteriormente com a colaboração de António Francisco Rosa. Concebido em estilo neoclássico, o edifício foi originalmente planeado com uma escala monumental que o colocaria entre os maiores palácios reais europeus.

Palacio Real d’Ajuda, em Lisboa
Alexandre de Michellis, entre 1836 e 1850
Lisboa: Lith. de M.el Luiz.
Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal

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Filhos de todos ou de ninguém? A construção museográfica da identidade perdida

Exposição “Filhos de todos… Filhos de quem?: Os expostos da roda de Lisboa”
Lisboa, Museu de São Roque (17 nov. 2025 – 29 mar. 2026)

Formulada em torno de uma incógnita (de quem são filhos os expostos na roda de Lisboa?), esta exposição constrói-se a partir de pequenos indícios, sinais deixados junto de recém-nascidos depositados na roda dos expostos de Lisboa. Fragmentos frágeis, quase invisíveis, que a exposição transforma em matéria narrativa e em questionamento social e ético.

Roda de expostos; atrás, Recherche de la paternité (cópia), de Louis-Henri Deschamps
Exposição “Filhos de todos… Filhos de quem?”
Lisboa, Museu de São Roque
Foto: MIR, 2026

A interrogação que o título enuncia com uma eficácia rara indica que não se trata apenas de apresentar a história da roda dos expostos enquanto instituição assistencial, mas de problematizar a condição daqueles que nela entraram: crianças sem nome, sem filiação reconhecida, entregues a uma responsabilidade coletiva que nem sempre (quase nunca!) se traduzia em pertença.

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Complexo Brasil: anatomia de um país entre memórias e tensões

Exposição “Complexo Brasil”
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian (14 nov. 2025 – 17 fev. 2026)

Exposição “Complexo Brasil”
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian
Foto: MIR, 2026

A exposição, comissariada por José Miguel Wisnik, Milena Britto e Guilherme Wisnik, é aquilo que se refere no título, assumindo a complexidade como método, recusando a linearidade do discurso e o recurso a cronologias positivistas entre causa e efeito. A intenção assumida pelos comissários era “propor uma travessia de experiências de Brasis, uma travessia de algo que é poliédrico, múltiplo, que tem a diversidade e a complexidade que tomamos como nosso mote de referência” (José Miguel Wisnik, discurso de inauguração, cit. em Lima, 2025).

Exposição “Complexo Brasil”
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian
Foto: MIR, 2026

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Museu Nacional Zayed: museu nacional e memorial do fundador

Inaugurado na ilha de Saadiyat, em Abu Dhabi, o Zayed National Museum (ZNM)1 afirma-se como um elemento fulcral da estratégia cultural dos Emirados Árabes Unidos (EAU) no início do século XXI. Concebido como museu nacional e memorial a Xeique Zayed bin Sultan Al Nahyan, fundador do país, o ZNM insere-se numa plataforma museológica que inclui o Louvre Abu Dhabi, o Museu de História Natural (inaugurado no passado mês de novembro) e o futuro Guggenheim Abu Dhabi, todos concentrados no Saadiyat Cultural District, e inscreve-se num projeto político mais amplo de afirmação identitária e diplomacia cultural para a projeção do país enquanto símbolo de modernidade, sem menosprezar o intuito de alavanca económica.

Zayed National Museum
Foto: MIR, 2025

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  1. Agradeço ao Zayed National Museum a ida a Abu Dhabi e o acolhimento proporcionado na abertura do museu. Porém, o patrocínio concedido não interfere na independência desta análise. []

Gravuras do poder e da glória

Exposição “Do Poder e da Glória”1
Vila Nova de Foz Côa, Galeria de Artes do Centro Cultural de Foz Côa (7 nov. 2025 – jan. 2026)

Que uma exposição de gravuras se apresente em Vila Nova de Foz Côa é, por si só, um sinal eloquente. Se aqui, no vale onde o homem pré-histórico gravou na pedra o seu espanto perante o mundo, inaugurando a arte como marca e memória, se expõe um acervo de gravuras dos séculos XVI a XIX, é porque existe um fio contínuo no arco do tempo. O traço inciso é um ato de permanência. Das figuras de animais do Paleolítico às alegorias régias barrocas, a gravura é um dispositivo de visibilidade e transmissão. A gravura, ou a imagem, não se limita a representar a realidade: modula-a, esclarece, inspira e persuade. É meio de propaganda, de instrução moral, de história política e, também, de emoção.

Cartaz da exposição
Design: Rui Catalão, 2025

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  1. Agradeço à Câmara Municipal de Foz Côa e à Associação Cultural Castilho e Távora, promotores da exposição, pela confiança no meu trabalho e pela oportunidade em trabalhar neste lugar e com esta coleção. De forma muito pessoal, cumpre-me uma palavra de profundo agradecimento ao Rui de Luna e à  Sílvia Ferreira, queridos colegas e amigos, de quem recebi o maior apoio ao longo de todo o processo, à Dália Guerreiro, pela ajuda de sempre, e à Margarida Marta, à Paula Tribulo e à Cristina Nevado, pela disponibilidade e pelo trabalho inexcedível sem o qual esta exposição não teria sido possível. A todos, muito obrigada! []

Das obrigações e proibições no Paço Ducal e igreja dos Agostinhos, em Vila Viçosa

Em Vila Viçosa, a Fundação da Casa de Bragança continua a adotar políticas restritivas no interior dos seus espaços patrimoniais, incluindo o Paço Ducal e a igreja dos Agostinhos. No Paço, a visita apenas é possível de forma acompanhada e com a duração de uns cansativos 50 minutos, revelando a persistência de uma lógica de interdição e controlo. O percurso é rigidamente controlado, sem possibilidade de exploração livre ou permanência prolongada perante as obras. Por outro lado, a igreja dos Agostinhos – cuja entrada, paga, obriga os visitantes a atravessar a praça para adquirir o ingresso no Paço – apresenta-se sem qualquer sinal de musealização, sem painéis informativos, sem mediação interpretativa ou contexto histórico que permita ao visitante compreender o valor do lugar. A experiência reduz-se, assim, a uma visita silenciosa, rigidamente controlada.

Terreiro e Paço Ducal; estátua equestre de D. João IV
Vila Viçosa
Foto: MIR, 2025

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“Entre os vossos dentes”, a mordida de Paula Rego e o grito de Adriana Varejão

Exposição “Entre os vossos dentes”
Lisboa, FCG – Centro de Arte Moderna Gulbenkian (11 abr. – 22 set. 2025)

O que sabeis
Da alma dos homens?
Ouro, conquista, lucro, logro
E os nossos ossos
E o sangue das gentes
E a vida dos homens
Entre os vossos dentes.
Hilda Hilst1

A exposição “Entre os vossos dentes” reúne cerca de oitenta obras de Paula Rego (1935-2022) e Adriana Varejão (1964-). O projeto curatorial, partilhado por Adriana Varejão, Helena de Freitas e Victor Gorgulho, propõe um diálogo intergeracional e transcultural e de geografias intercontinentais (Lisboa, Londres e o Brasil) em torno de um conjunto de questionamentos acerca do corpo feminino, do patriarcado, da violência de género, da memória colonial e dos mecanismos de poder.

Exposição “Entre os vossos dentes”
Lisboa, Centro de Arte Moderna Gulbenkian
Foto: MIR, 2025

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  1. Hilst, H. (1974). Júbilo, memória, noviciado da paixão (p. 105). Companhia das Letras. []

“Venham mais cinco” e muitos mais

Exposição “Venham mais cinco: O olhar estrangeiro sobre a revolução portuguesa (1974–1975)”
Almada, Parque Empresarial da Mutela (23 maio – 24 nov. 2025)

Jorge Calado afirmou, na crónica que assina no Expresso, que esta “é provavelmente a mais importante exposição fotográfica em Portugal dos últimos 50 anos”. É, seguramente, uma exposição imperdível que, entre a abertura e o dia 24 de agosto, altura em que estava previsto encerrar, havia recebido quase 15 mil visitantes, justificando o prolongamento até 24 de novembro.

Exposição “Venham mais cinco: O olhar estrangeiro sobre a revolução portuguesa (1974–1975)”
Almada, Parque Empresarial da Mutela
Foto: MIR, 2025

“Venham mais cinco” é o título de uma canção de José Afonso inicialmente escolhida para ser tocada na madrugada do 25 de Abril como senha do golpe militar, mas, como estava proibida na rádio, foi substituída pela “Grândola, vila morena”.

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Em construção, a imanência da transformação

Instalação “Em construção”
São Pedro de Penaferrim, Casa-atelier de Mário Rita (18 jan. – 22 fev. 2025)1

Escrevo por entre andaimes,
ando por entre versos. Uma ideia de
construção ergue-se no
meio de palavras e tijolos.
Nuno Júdice2

O processo criativo é, em Mário Rita, o sentido de algo que ainda não está concluído, que nada é tido como definitivo. Dessa constatação e suportado pela epígrafe de Nuno Júdice, surgiu o título “Em construção” para a instalação apresentada a pretexto da abertura da casa-atelier.

“Em construção”
S. Pedro de Penaferrim, Casa-atelier Mário Rita

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  1. Abertura: 3.as e 5.as, das 16h às 19h; sábados, das 16h às 22h []
  2. In Júdice, Nuno. (2001). Cartografia de emoções. Lisboa: Dom Quixote. []