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Monumento a Luís de Camões

“Estavam no Loreto; e Carlos parara, olhando, reentrando na intimidade daquele velho coração da capital. Nada mudara. A mesma sentinela sonolenta rondava em torno à estátua triste de Camões.”
Eça de Queirós. (1888). Os Maias.

O monumento a Luís de Camões, de autoria do escultor romântico Victor Bastos, erguido no centro da praça homónima em Lisboa, serviu de preâmbulo às comemorações do terceiro centenário da morte do poeta, refletindo uma forte intenção propagandística da história nacional, de acordo com a ideologia romântica da pátria, dos seus valores e heróis históricos. Através da glorificação da figura de Camões, fazendo a síntese entre a obra épica do poeta nacional e o seu carácter bélico, o monumento pretendia estender-se simbolicamente à glorificação da pátria.

Praça e monumento de Luiz de Camões
In  (1868). Album. Lisboa: Moreira Photographo.
Foto: Moreira, 1868.

Dominando a praça, a estátua colossal de bronze representando o poeta, com 4 metros de altura, ergue-se no topo de um alto pedestal, com 7,5 metros, de secção oitavada. Camões é representado de pé, com a perna esquerda avançada, evidenciando uma atitude determinada que se aproxima da representação convencional do herói destemido. A mão esquerda, junto ao peito, segura a sua obra máxima, Os Lusíadas, enquanto a mão direita assenta no coto da espada com a ponta da lâmina assente no chão, evocando a sua condição de militar, enquanto os livros que se encontram a seus pés aludem ao poeta. Na cabeça, evidencia-se a coroa de louros mantém o significado de distinção e glória, cujo uso remonta à referência mitológica do mito de Dafne que, transformada em loureiro para evitar a perseguição de Apolo, permite que ele colhesse as folhas e fizesse a coroa com a qual é representado e que se tornou seu atributo e, por extensão, atributo dos heróis.

Monumento de Luiz de Camões
Foto: Osvaldo Gago, 2011

Em cada uma das faces do pedestal, erguem-se as figuras em vulto de cronistas, poetas e cientistas dos séculos XV e XVI: Fernão Lopes, Fernão Lopes de Castanheda, Francisco Sá de Menezes, Gomes Eanes de Azurara, Jerónimo Côrte-Real, João de Barros, Pedro Nunes e Vasco Mouzinho de Quevedo.

Maria Isabel Roque
Maria Isabel Roque

OpenEdition sugere que esta publicação seja citada da seguinte forma:
Maria Isabel Roque (10 de Junho de 2020). Monumento a Luís de Camões. a.muse.arte. Recuperado em 9 de Outubro de 2026 de https://doi.org/10.58079/b52u


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